Domínio e Conhecimento sobre as Armas
Durante o processo de preparação, é extremamente importante estar no controle do “check list” do sobrevivencialista. Este já é bastante conhecido e inclui o armazenamento de recursos e alimentos (meio óbvio até), conhecimento de ciências como primeiros socorros, botânica, medicina natural, conhecimento de PANCS (Plantas Alimentícias Não Convencionais) e habilidade no manuseio de ferramentas. No entanto, existe uma vertente da sobrevivência frequentemente ignorada por muitos, seja por tabu, medo ou falta de experiência e conhecimento técnico: a utilização de armas de fogo.
No Brasil, o conceito que envolve a utilização de armas de fogo, o que eu apelidei de “ferramenta de equalização de forças”, é um tabu enorme. O debate sobre sua utilização está passando por fases difíceis. Houve um grande boom há alguns anos, mas está sendo severamente esmagado por políticos contrários à ideologia de liberdade que nos permite ter acesso à oportunidade de autodefesa. Mas este é um assunto para outro momento. O fato é que, o conhecimento técnico na utilização de armas para um sobrevivencialista é tão necessário quanto o conhecimento de botânica ou saber como sobreviver em ambientes urbanos. É literalmente uma questão de sobrevivência.
Você pode até não gostar de armas, mas seu inimigo irá gostar, e tenha certeza que ele utilizará todos os recursos disponíveis para destruir tudo o que você conquistou, caso haja a oportunidade. Na sobrevivência não existem limites, existe apenas presa e predador, vida ou morte. Defender sua família e recursos é sua obrigação, e neste momento, estou falando como um sobrevivencialista, não como atirador esportivo ou armamentista. Estou falando literalmente de sobrevivência.
Certa vez, conversando com um amigo, pai de três crianças e marido de uma jovem esposa, da área de sobrevivência, que não era a favor de armas (que contraditório), expliquei que ele precisava aprender a utilizar e conhecer os equipamentos para proteger sua família no caso de um ataque em sua residência, por exemplo. Ele me disse que não precisava porque sua casa era fortificada. Juro que tive que manter a calma e respirar fundo para não dizer o que pensava e acabar chamando-o de inocente e ignorante. Pois pode até parecer pesado, mas é realmente disso que se trata. O seu inimigo não vai ter pena de você, nem de seus familiares, nem de sua mulher ou de seus filhos. Seu inimigo não dá a mínima para o que você pensa.
Acham exagero? Relembrem do ataque ao Kibutz em Israel e as atrocidades cometidas pelo Hamas. “Ah, mas no Brasil é diferente, não tem terrorismo.” Não como em outros países, mas temos facções criminosas que disputam território e são capazes de coisas terríveis. Acredite.
Sobre um evento terrível em nosso país, podemos relembrar da greve da Polícia Militar em Vitória (ES). Após longos 7 anos sem reajustes salariais e diversas reivindicações ignoradas, a tão desvalorizada instituição da Polícia Militar entrou em greve. A paralisação durou 21 dias. Foram aproximadamente 219 mortes violentas, e no dia 06 de fevereiro foram registradas 40 mortes, sendo considerado o dia mais sangrento. Mais de 300 lojas foram saqueadas, diversas residências foram invadidas. Então, meu amigo, você pode até não gostar de armas de fogo, mas elas são necessárias para defender o que você tem de mais precioso: sua vida e sua família.

No próximo artigo falaremos um pouco mais sobre o porte de arma e o peso que ela carrega sobre si. Pista quente.

Marcelo Sheepdog é um sobrevivencialista experiente e renomado instrutor nas áreas de Armamento e Tiro, Sobrevivência Urbana e Treinamento de Sobrevivência em ambientes extremos, como selvas. Com especialização na formação de aeronautas, Marcelo combina profundo conhecimento técnico e prática realista, capacitando seus alunos a enfrentarem situações adversas com confiança e segurança. Sua abordagem pedagógica une disciplina, estratégia e habilidades essenciais para a sobrevivência em cenários desafiadores.