Muitos condomínios acreditam estar seguros porque possuem uma cancela na entrada. Esse é um erro comum. A cancela não passa de um organizador de fluxo: serve para manter o trânsito de veículos sob controle e dar ao porteiro alguns segundos de reação. Mas quando o assunto é segurança contra invasões, ela não oferece resistência real.
Por que a cancela não garante proteção
Fragilidade estrutural: feita para quebrar facilmente, evitando acidentes graves. Um carro em baixa velocidade já é suficiente para derrubá-la. Contorno simples: pedestres e motocicletas passam ao lado sem dificuldade. Tailgating: basta um veículo colar no outro para entrar junto sem autorização. Dependência do porteiro: distração, coação ou falha de energia tornam a cancela inútil.
Ou seja, a cancela funciona para quem já respeita as regras. Para criminosos, ela não representa obstáculo.
O papel dos portões altos
Se o condomínio busca segurança real, precisa de portões robustos que selam a entrada. Eles cumprem a função de atrasar a ação do invasor, criando o tempo necessário para que o porteiro, a ronda ou a polícia possam agir.
Impedem invasão com veículo: um portão metálico alto, com trava eletromecânica, não pode ser arrombado facilmente. Dificultam escalada: diferente de grades baixas ou muros abertos, um portão alto inibe a ação de quem tenta pular. Controlam o fluxo com eclusa: combinados com a cancela, permitem abrir em duas etapas, garantindo verificação antes da entrada. Aumentam o fator psicológico: criminosos buscam alvos fáceis. Diante de um portão sólido, desistem e procuram alternativas mais vulneráveis.
A decisão estratégica
A verdadeira segurança condominial não está em “mostrar que tem portaria”, mas em estabelecer barreiras físicas reais. Cancela sozinha é teatro. Portão alto, sempre fechado, é barreira.
Na Confraria do Tiro, entendemos que segurança é feita em camadas:
Dissuadir (placas, vigilância visível).
Detectar (câmeras, porteiro treinado).
Atrasar (portões altos, eclusa veicular, portas antipânico).
Responder (procedimentos, ronda, acionamento rápido da polícia).
Sem essas camadas, o condomínio não tem proteção — tem apenas a ilusão de segurança.

Eduardo Maschietto é um autor ítalo-brasileiro, especialista em sobrevivência urbana, Direito e Ciências da Computação, com mais de uma década de experiência internacional. Instrutor certificado de armamento e tiro, palestrante e escritor, Eduardo é autor de obras como Declínio Moral e Seja um Patriota e Não um Idiota. Ele se dedica a educar e conscientizar sobre segurança, valores fundamentais e responsabilidade individual, combinando história, filosofia e prática em seus projetos e reflexões.